Mono

CAPC – Círculo de Artes Plásticas

16 Oct – 18 Dec 2010

Curated by Carlos Antunes e António Olaio

Mono

O Grupo de Intervenção do CAPC é de facto dos mais fortes protagonistas da história heróica do CAPC dos 70’s. A sua atitude performativa leva-o a ser mais conhecido por Grupo Cores, sobretudo a partir de acções como a que realizaram na Alternativa Zero, organizada em Lisboa por Ernesto de Sousa, em 1977. Aí cada um envergava uma vestimenta monocromática. “O todo e a parte; a parte e o todo”, na expansão do pictórico para a acção performativa. Defen- diam cada um a sua cor como quem defende uma ideologia, e, radicalmente, como se fosse a única. Armando Azevedo – azul (esferográfica); Túlia Saldanha – preto ; Teresa Loff – amarelo ; António Barros – vermelho (cor vulcânica) ; Rui Órfão – verde ; Ção Pestana – laranja (brick) ; José Alfredo Pinheiro Marques – o panu cru como (em) branco.



Partindo da evocação do Grupo Cores, o CAPC convidou agora mais de 60 artistas a apresentar novas obras em torno da ideia de monocromia.



Na relação entre a plasticidade e o conceito, uma cor, a partir do momento em que é nomeada reúne em si estas duas dimensões. Uma cor enquanto conceito é também plasticidade. E, na relação entre arte e pensamento, encantamo-nos com a própria plasticidade do pensamento.



Da ideia de monocromia em absoluta polissemia surge uma exposição onde os pequenos formatos produzem densidade em multiplicidade e contaminação. 

Negamos aqui a cautelosa rarefacção que muitas vezes se disfarça de bom gosto, não propriamente pelo excesso mas pelo muito. O muito que se multiplicará em muito mais num CAPC resistente e festivo, recusando veementemente render-se.