The project brought by Francisco Queirós to EMPTY CUBE develops itself in the intersection of a variety of plastic, visual and performative languages, and takes the form of a single stage presentation, based on the marionette portée technique.
This action, in which Francisco Soares took part, comprised a video projection (an adaptation/appropriation of a Tecnoviking online video, shot during a Berlin parade), a limited edition of 18 original posters to be picked up by the spectators, and the in situ performance of a dramatization of a talk show featuring Kevin Michael, a.k.a. GG Allin (Jesus Christ Allin, 1956-1993), a US punk rocker notorious for his provocative, extremist and transgressive exploits.
The environment Queirós created for this short (a few minutes) presentation is the product of an in-depth knowledge of exhibitive mechanisms, as well as of the communicative qualities of events and their reception by the public. Queirós put to use all the elements that make up EMPTY CUBE as an ephemeral initiative that establishes a straightforward, performative and short-lived relationship between the public and the artistic project.
In his work, Francisco Queirós weaves meta-narratives in which he combines fictional magic (sometimes evocative of a children’s tale) with random episodes or stories associated to comic books, or to such cinematic sub-genres as cartoons, fantastic films and thrillers. Resorting to a variety of media, such as drawing, video and installation, the artist creates ironic, sometimes seemingly transgressive tales in which a cruel, stark innocence confronts us with the limits of the body’s representation, sexuality, freedom and ethics.
“MY BODY IS THE ROCK’N’ROLL TEMPLE” brings into confrontation several varying degrees of production of meaning and language forms, in order to question the social imaginary from talk shows as a communicational paradox. The video projected that preceded the stage performance showed a clip, taken from the internet, combined with the sound from a Portuguese TV talk show that included a song performed by Ana Malhoa. Even though the musical genre is different from the original techno soundtrack, the piece’s sound editing contains the conceptual key to the whole project. Francisco Queirós combines many different typologies and meanings, repositioning before the spectator genres that exemplify the trajectory of spectacularity as the aglutinator of an undifferentiated audience, independently from any ethical or moral criteria (thus reactivating Guy Debord’s views on mass culture and spectacle market conditions), but avoiding simple commentaries of a literal, pamphletary or openly political nature. The theatrical performance, visible at first as an installation within the built premises of EMPTY CUBE, consisted of a table on which the marionette sat, and a text that acted as both a performance script and a prop for Francisco Queirós’ playback lines. All the action has been developed around the puppet’s manipulation (by Francisco Queirós and Francisco Soares, who moved both its arms and sometimes its body). The puppet was a styllised figure sitting in a wheelchair; the whole was made from humble materials, with no costume props. The stage play took place outside the cube’s space, which received the compacted audience, as if they were inside a cage. The relationship between the interview’s contents, the staging and the (arena-like?) audience is illustrative of the hybrid and ambiguous approach Queirós employs to work on language’s various codifications, its channels and means of diffusion and the spectator’s rapport with the image and its meaning.
O projecto que Francisco Queirós apresentou no EMPTY CUBE encontra-se na fronteira de uma variedade de linguagens plásticas, visuais e performativas, concretizando-se numa única apresentação teatral, próxima da prática da marionette portée.
Esta acção, que contou com a participação de Francisco Soares, foi composta por uma projecção vídeo (uma adaptação e apropriação de um vídeo online de Tecnoviking filmado durante um desfile pelas ruas de Berlim), uma reduzida edição de 18 cartazes originais destinados a serem recolhidos pelo público, e a representação in situ de uma adaptação teatralizada de um talk show em que é entrevistado Kevin Michael, conhecido como GG Allin (Jesus Christ Allin, 1956-1993), um músico norte-americano de tendência punk conhecido pelas suas acções provocativas, extremistas e transgressivas.
O ambiente criado pelo artista para a sua apresentação durante breves minutos revelou uma cuidadosa atenção aos mecanismos de exposição, comunicação e recepção de eventos com o público. Queirós accionou todos os dispositivos que constituem o EMPTY CUBE enquanto projecto efémero que estabelece uma relação directa e performativa – com uma duração limitada – entre o público e o projecto artístico.
No seu trabalho, Francisco Queirós constrói meta-narrativas em que cruza a magia ficcional (por vezes próxima de um conto infantil) e acasos episódicos, ou histórias, associados à cinematografia – em subgéneros como o cinema de animação, o fantástico, o thriller – ou à banda desenhada. Recorrendo a diferentes meios de produção como o desenho, o vídeo e a instalação, o artista cria efabulações irónicas, por vezes de aparência transgressiva, em que uma inocência cruel e despojada nos confronta com os limites da representação do corpo, da sexualidade, da liberdade e da ética.
“MY BODY IS THE ROCK’N’ROLL TEMPLE” estabelece um confronto entre diversas gradações da produção de sentido e formas da linguagem, questionando o imaginário colectivo presente no talk show como paradoxo da comunicação. O vídeo que antecedeu a apresentação teatral consistia na projecção de um video clip, retirado da internet, com a banda sonora de um talk show da televisão portuguesa que incluía a interpretação de uma música da artista Ana Malhoa. A montagem sonora, apesar de o género musical ser diferente do ritmo techno do original, apresenta a chave conceptual de todo o projecto. Francisco Queirós cruza tipologias e significações diversas, recolocando perante o espectador géneros que evidenciam a trajectória da espectaculariadade como meio aglutinador de uma arena indiferenciada de público, independentemente de critérios éticos ou morais (reactivando aqui as reflexões de Guy Debord sobre a cultura de massas e as condições do mercado do espectáculo), mas afastando-se do simples comentário literal, panfletário ou manifestamente político. A representação teatral, num primeiro momento como uma instalação visível através da estrutura do espaço construído do EMPTY CUBE, era composta por uma mesa onde estava a marioneta e um texto que servia de guião para a representação e simultaneamente apoiava Francisco Queirós na sua fala em playback. Toda a acção foi desenvolvida em função da movimentação da marioneta (por Francisco Queirós e Francisco Soares, que accionavam cada um dos braços e por vezes o corpo desta), uma figura estilizada sentada numa cadeira de rodas, sendo o todo construído com materiais pobres e sem qualquer adereço de vestuário. A peça de teatro desenvolveu-se fora do espaço do cubo que acolheu o público compactado, como se estivessem dentro de uma jaula. A relação entre o conteúdo da entrevista, a encenação e a plateia (como uma arena?) revela a estratégia de hibridação e ambiguidade que Queirós utiliza para trabalhar as diversas codificações da linguagem, os seus canais e meios de difusão e a relação do espectador com a imagem e a sua significação.